domingo, 17 de fevereiro de 2013

CENTENÁRIO DA POETA MARIA BRAGA HORTA

 

Mineira, veio ao mundo em 17 de fevereiro de 1913 no arraial de Bom Jesus da Cachoeira Alegre, município de  Murié,  Maria da Conceição Guimarães Braga (seu nome de solteira). Aos 12 anos já faria versos. Aos 15,  já escrevia seus primeiros sonetos – gênero, sem dúvida, o marco  mais alto da sua poesia.  Detentora de vários prêmios, alcançou o 1º lugar no Primero Concurso de Poesia da Fundação de Assistência aos Garimpeiros (Brasília, 1971). Em 1967, Carlos Drummond de Andrade publicou, no seu livro “Uma Pedra no meio do Caminho”, o soneto “Legado” que ela lhe dedicou em resposta ao soneto com o mesmo título do poeta.

Em 1934, casou-se com o advogado e poeta Anderson de Araújo Horta, com quem teve cinco filhos (Anderson, Arlyson, Augusto Flávio, Glorinha e Goiano). O namoro começou pouco antes que ela completasse vinte anos, e com ele estabeleceu-se um diálogo poético. Os primeiros versos de amor partiram do namorado, com um soneto de parabéns pelos aniversário de 20 anos da amada.  Os poemas dela nesse diálogo constam do capítulo “Nossa História de Amor”, de seu livro “Caminho de Estrelas”, publicado em 1996, após sua morte, pela Massao Ohno Editora, sob a oganização de seu filho poeta Anderson Braga Horta. O primeiro poema dela,  iniciando o diálogo:

UM PONTO … DE INTERROGAÇÃO
O fim, como será?
Como será o fim do nosso amor
que nem sabemos como começou?
Nunca pensei o que viria a ser
e não penso sequer o que será
desse nosso fatal impressionismo:
- se acabará burguesamento envolto
num véu de rendas e em cortinas brancas
- ou se irá terminar tragicamente
como uma flor que passa
pelas mãos de um poeta indiferente…
Como será o fim do nosso amor
que nem sabemos como começou?
O fim, como será?

O poema mereceu do apaixonado  poeta  esta  resposta:

O fim… como será?”  – disse Você
Naquela estrofe de quatorze versos…
E essa incerteza… e esse terrível  quê
Me traz a  alma e o coração dispersos!
E aquele ponto curvo? e aquele “se”…
Num mar atroz de dúvidas imersos?
Você chamou – “Fatal impressionismo”,
A soluçar num verdadeiro abismo
O despontar do nosso grande Amor…
Você, porém, nunca sentiu decerto
O grande mal que produziu – aberto
E escancarado para a minha Dor!

Daí em diante, o diálogo poético entre o apaixonado casal só terminou após o falecimento da poeta em 6 de abril de 1980.
Em sua introdução ao livro “Caminho de Estrelas” – e cujo texto tomei como base para escrever, em nome de todos meus irmãos,  esta homenagem – diz seu filho primogênito, Anderson :  “’Do ser humano que foi minha Mãe, recordo: a postura discreta, o gesto fidalgo, os gostos aristocráticos (não obstante, a simplicidade); recuando à infância, minha e de meus irmãos – o jeito incomparável de contar histórias, na hora de dormir, ao sabor do improviso; e sempre e sempre – o desvelo amoroso, o maternal cuidado, o vigilante carinho. O vulto querido.”
E mais: “Seu testemunho poético, seu testemunho espiritual, é legado intangível, mas precioso,que permanece vibando na memória dos filhos”.

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