segunda-feira, 16 de maio de 2011

Cigarra

Quando à tarde no céu se escuta a prece
que entoa a Criação na Ave-Maria,
canta a cigarra, canta e se estremece:
núncia da noite sepultando o dia.

Pobre cigarra! Canta como em prece,
e ninguém, escutando-a, desconfia
que no canto a alma simples lhe estremece
e é o canto o último raio do seu dia.

A tanta gente assim como a cigarra
a dor na pálpebra fechada esbarra,
mas - na suave trasnfiguração

que nos redime desta pobre argila -,
se em lágrimas dos olhos não destila,
vem aos lábios em forma de canção.

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