segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sonho de Amor

Era um sonho de amor… Em misteriosa vinha,
um místico perfume embebedava a mente.
E de uma flor tão bela esse perfume vinha
que enchia de ilusões o coração da gente.

Ver a flor não bastava; e eu quis tocar-lhe a vida.
Mas, de tão frágil que era, e fina e delicada,
eu temi machucar-lhe a haste verde e pendida
e receei manchar-lhe a pétala rosada.

Pareciam abrir-se as sépalas num beijo.
Uma gota de orvalho a brilhar docemente
- um cristal num rubi - ateava-me o desejo.

Mas eu, renunciando à glória de possuí-la,
fugi. Doido que fui! pois logo a madrugada
matou-a para sempre, impiedosa e tranquila.

0 comentários: