terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Flor do Cardo

Caminhei sem descanso-o passo tardo,
o olhar vazio, amargurado, incerto-
através da existência, este deserto,
cujo extremo horizonte ansioso aguardo.

Bem vi nascer e florescer por perto
de minha sombra, como a flor do cardo,
amor de afiadas garras de leopardo
mas de sereno céu no peito aberto.

E, no entanto, parti. Neste saara,
ontem, vi-a de novo, e tão selvagem,
tão fresca e natural quanto a deixara!...

E empós dela voei! Ah! comovido,
solitário me entrego a uma miragem,
abraçado no pó... areia... olvido...

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