sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Porta

Nos meus momentos de serenidade,
quando à meditação tudo me exorta,
parece escancarar-se-me uma porta
para a glória do sonho que me invade.

(Dentro, esculturas de indizível lavra
respiram! Tudo ali tem cor e canta!
A comoção que me devora é tanta
que nas fontes estanca-se a palavra.)

Fitá-la é contemplar um templo indiano:
o espírito detém-se, e se extasia,
ante o ritual exótico dos bonzos…

Mas, antes que lhe veja o claro arcano,
fecha-se a porta, lúgubre e sombria,
com um rangido sonâmbulo nos gonzos.

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