terça-feira, 8 de setembro de 2009

Meu caderno de versos

O rio imenso, barrento,
ululante, ameaçador,
não vale o fio da fonte
que costura, paciente,
pelos sulcos da montanha,
o mapa do seu destino.

(Para mim o homem forte
faz de conta que é menino.)

O pintor está deitado.
(Talvez já seja barão.)
O mistério está no quadro
que vale mais de um milhão.
Mas quanto o pintor daria
talvez por um simples beijo!

(Para mim a sua vida
faz de conta que é o bosquejo.)

O meu caderno de versos
todo mundo pode ler.
É festival sem ingresso,
castelo sem fortaleza.
Está na ordem direta
como qualquer namorado.

O meu coração, porém,
está muito bem guardado.

Se você pudesse ver
os rabiscos e os rascunhos
de onde meus versos nasceram,
poderia compreender
por que não troco dez dias
por uma só madrugada.

O meu caderno de versos...
esse sim: não vale nada!

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