segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Anteprimavera

Manhãs claras, manhãs de etérea natureza.
Bailam sonhos no céu como espumas num lago.
Soluça na amplidão, sobre a quieta beleza
da terra, um beijo fluido, indefinido, vago.

Tardes de chuva e cinza. A alma, de angústia presa,
aquieta-se a chorar, nos silêncios que trago.
Cala-se a passarada ante a calma frieza.
A própria solidão é um bálsamo, um afago.

Há por tudo o fremir de um silêncio emotivo...
Também sob a mudez nebulosa em que vivo
há um presságio de flor e o arder de uma cratera

— que hão de um dia explodir e, como sóis dispersos,
deflagrar em minha alma (estranha primavera!)
a erupção do desejo e a floração dos versos!

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