quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os Cães

A aurora flui do cântico dos galos,
aos poucos, salpicada de saliva.
No travesseiro sublunar da treva,
cobertos da orvalhada os cães dormitam.

Telúricos os cães, e quase humanos.
Inocentes infantes adormidos
equipados de relva e de luar.
Dormem os cães. São belos no seu sono.

No ganirem dormidos obedecem
à voz rudimentar dos próprios sonhos.
Choram os cães na atávica lembrança
de remotas caçadas. Abandono.

Alguém ligou a máquina do dia.
Os cães despertam mastigando as luzes
que a pródiga manhã lhes põe nos olhos.
E ei-los felizes abanando as caudas,

sequer imaginando que fragrâncias,
que músicas pagãs deixam gravadas
na memória das frias madrugadas
de cães ladrando flores no silêncio.

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