sábado, 2 de maio de 2009

Amor

Amor é, não possuí-lo: amor, vivê-lo.
Possuí-lo é desvendá-lo. E amor -verdade,
beleza, poesia-, sarça ardente,
é refratário a toda matemática.

Amor é sol que não se vê mas queima.
Ave, não canta, mas lhe o canto ouvimos,
- mas de um outro entender, que só de ouvidos
da alma é ouvir cantigas represadas.

Sol e ave. Mas, ave, é um sol que brilha.
Queimar-se dele. Por suprema graça,
ver-lhe do espectro as invisíveis cores.

Jamais situá-lo, em tosca astronomia.
Pesquisá-lo é destruí-lo.
Amor, portanto:
queimar-se, e só, sem mais filosofia.

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