segunda-feira, 25 de maio de 2009

(A)MAR(O)

Em março o mar soletra
sol e ar e luar.
E o pescador espera,
a cismar,
que das espumargênteas
vagalínguas a ondear
saia a palavra peixe.
E põe-se a piscicar,
de anzol, tarrafa, rede,
arpão, — o mar.
Tempera-se a salina
escuma na carícia
doce do ar.
Chispam gaivotas-hifens
a mergulhar,
relâmpagos de união
entre ar e mar.
E o pescador espera.
O mar tostou-lhe a cara,
pôs-lhe vagas no olhar
e na pele. Sua alma
tem um fundo de sal.
Mas deu-lhe o mar um vago
íntimo marulhar
que em março, abril, desmaios
de amor lhe dá.
E essa amável magia
é que o faz esperar,
de janeiro a dezembro,
no seu destino claro:
amar o mar amaro.

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