terça-feira, 10 de março de 2009

Soneto sem despedida

Para Waldemar Lopes


Buscas da infância o inexorável pomo,
pinta-lo em cores de memória, abstrato
e belo; mas, melhor que nesse cromo,
trazes no coração seu cerne, intato.

O que ganhaste em Tempo e em Ritmo exato,
dize-lo perda e no-lo dás em Nomo.
E, agora que te vais de nosso trato,
tampouco ir-te-ás quanto imaginas. Como,

da noite, a fugitiva claridade
solar dissolve em luz os tons soturnos –
permanece entre nós tua alma antiga

na dimensão do Sonho sem idade;
e, em teu Reino de pássaros noturnos,
tua presença matinal e amiga.

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